Buscar
  • Tiago Vasconcellos

A Periodização e a Osteopatia Esportiva


A recuperação e a periodização caminham juntas

Todo atleta que se dispõe a superar os próprios limites acaba encarando competições mais desafiadoras. E não há maneira simples de fazer isso: é preciso desenvolver uma estratégia consistente, segui-la com disciplina e ter responsabilidade com o próprio corpo – seu principal instrumento para o esporte e para a vida.

Uma das fases mais importantes do treinamento, a periodização, expõe músculos, ligamentos, articulações e outros tecidos a esforços diferentes e, não raro, alguma instabilidade pode prejudicar o desempenho até dos mais preparados, quando não estão sendo acompanhados por especialistas.

A periodização refere-se aos ciclos de treinamento estruturados com o objetivo de oferecer ao corpo estímulos diferentes em períodos de tempo predeterminados. Há alguns modelos de periodização, mas, grosso modo, podemos dizer que há macrociclos (objetivo principal), mesociclos (fases de preparação competitiva, aprimoramento tático e desenvolvimento das habilidades gerais e motoras) e microciclos (composto de exercícios corretivos, aprimoramentos das técnicas específicas ao seu esporte e ajustes na intensidade e quantidade de treinos).

Para aumentar as chances de um alto desempenho e alcançar a meta estabelecida, o atleta precisa contar com uma equipe multidisciplinar, composta, geralmente, por um treinador, um nutricionista esportivo e um osteopata esportivo.

Osteopatia Esportiva

Embora nem sempre esteja presente nas equipes multidisciplinares que acompanham atletas (sejam da corrida, natação, futebol ou qualquer outro esporte) a Osteopatia Esportiva já é bem difundida pelo mundo, sendo representada por organizações como Ostheopathic Sport Care Association (Reino Unido), Internacional Osteopathic Sports Care e o American Osteopathic Academy of Sports Medicine (EUA).

O osteopata esportivo atua diretamente no restabelecimento da integridade física e no aumento da performance do atleta. Um dos pontos diferenciais em ter um osteopata na equipe técnica esportiva é que seu trabalho impactará diretamente na biomecânica da articulação, muitas vezes comprometida pela exigência de uma rápida evolução física.

Esse profissional detém profundos conhecimentos em anatomia, fisiologia e biomecânica do corpo, sendo capaz, por exemplo, de restabelecer o padrão correto do movimento envolvido no esporte. Ele é qualificado para analisar o corpo em sua totalidade, avaliando quais lesões podem gerar disfunções somáticas no longo prazo. Ele entende as relações mecânicas corporais, nas quais uma disfunção em um membro inferior pode causar dores em um membro superior. Neste caso, ele faz o diagnóstico e já administra o tratamento preventivo, mantendo o corpo equilibrado durante todo o processo. Sem esse acompanhamento, os atletas tendem a desenvolver lesões por sobrecarga que, se não detectadas, chegam ao ponto de afastá-los dos ciclos de treinos, prejudicando o resultado planejado.

Entre as técnicas adotadas pelo osteopata esportivo está a manipulação (trust) e mobilização articular que tem efeito neurofisiológico na diminuição da dor, inibição do espasmo muscular e melhora do controle motor. O osteopata utiliza também as técnicas de manipulação dos tecidos moles e fáscias, o que aumenta o fluxo sanguíneo e linfático. Isso resulta em uma diminuição do cortisol, das dores, espasmos e tensões musculares. Atua, também, no aumento dos níveis de dopamina, serotonina, e na minimização dos impactos do lactato – responsável pela redução da capacidade de controle motor. Já as técnicas de crânio têm resultados significativos na redução de quadros de ansiedade, aumentando a capacidade de concentração e foco.

Dessa forma, a ação preventiva ou corretiva do osteopata esportivo melhora a performance do atleta e gera benefícios duradouros para a atividade física.



Tiago Vasconcellos

Crefito: 76397-F

6 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo